A teoria de que a primeira volta das eleições presidenciais são as primárias da esquerda, pode vir a ser suicida. A proliferação de candidatos à esquerda, com hipótese zero de ganhar, casos de Edgar Silva e de Marisa Matias, e a cumplicidade do PS com duas candidaturas da sua área, constituem um fator de perturbação e desmobilização do eleitorado de esquerda sociologicamente maioritário, em Portugal. É o nada ter aprendido com as causas políticas que deram duas vitórias Cavaco Silva. É o não ter aprendido com a máxima de Einstein: "a mesma receita aplicada várias vezes não conduz a resultados diferentes".
No caso do PS é um erro primário, de palmatória, de António Costa, que será no contexto europeu o único líder político a chegar ao poder, em cima de uma, porventura duas, derrotas humilhantes. A incapacidade de liderança em definir um candidato único apoiado pelo PS, antes mesmo das legislativas, contribuiu para a derrota do PS nessas eleições, e para a putativa derrota nas próximas presidenciais. Serão derrotas e erros a mais para um primeiro-ministro em exercício.
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