segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Saúde: mesmo nos privados a situação é ruim

Há dois anos tive, com muita urgência, que recorrer a um Hospital privado, numa situação muito critica, entre a vida e a morte, com o meu seguro de saúde. Quando lá cheguei, a precisar de dar entrada na Unidade de Cuidados Intensivos, exigiram-me um depósito de uns milhares de euros que não tinha. Argumentei que tinha o seguro cuja apólice me cobria aquele internamento, ao que me objectaram que enquanto não viesse a autorização do seguro que poderia demorar mais de um dia não poderia ser admitido. Uma cena patética e dantesca. A minha situação era tão grave que nem sequer já estava em condições de ser transferido para um Hospital público. A proximidade de um familiar lá me resolveu a situação da caução exigida, com o meu risco de vida a aumentar a cada minuto que passava. Convém sublinhar que a autorização do seguro chegou passadas umas horas, comigo já ligado à "máquina", mas para me devolverem o dinheiro da caução foi preciso mais de um mês de espera, e ter que ir aos serviços do Hospital da Luz, várias vezes, reivindicar a sua devolução.
Mas, já nesse Hospital de ponta, a situação dos enfermeiros era extremamente precária. Era bem assistido, os enfermeiro(a)s não escasseavam, mas apareciam muito fragilizados, com um aspeto muito cansado, e quando, "por deformação profissional" os instava , me davam conta de que tinham emprego precário, com ordenados muito baixos, o que os obrigava a trabalhar em duas e até três instituições, para sobreviverem. Estamos, pois, perante um problema estrutural, que tem que ser resolvido, porque um hospital com carência de médicos e de enfermeiros, ou com profissionais cansados e desmotivados, não pode prestar um serviço adequado aos pacientes e utentes do SNS.

Sem comentários:

Enviar um comentário