domingo, 21 de fevereiro de 2016

Sócrates: "já temos o culpado preso; falta agora encontrar o crime"

Não sei se Sócrates é, ou não, corrupto. Desconheço a sua vida privada: rendimentos, heranças e honorários. Não seria sua testemunha se me pedisse, porque, hoje, já não ponho a mão no lume por ninguém, a não ser que seja tão próximo e tão amigo, que me permita rastrear os seus comportamentos, para abonar em conformidade. Ficarei muito contente, como português, e socialista, se se comprovar que é um homem sério, mesmo que com alguns excessos. Mas de uma coisa já não tenho a mínima dúvida: o processo em curso, contra ele,foi, e é, Kafkiano. Independentemente de ele poder ter tido um comportamento delinquente, a justiça agiu "ad hominem". Tudo começou por ódios pessoais e espírito de vingança, por razões políticas, ou outras, inconfessáveis.
Assim sendo, decidiram "PRENDER O CULPADO; FALTANDO SÓ ENCONTRAR O CRIME".
Brutal, inqualificável, insusceptível de ser tolerável num Estado de Direito Democrático.
Humilharam-no à chegada a Lisboa, prendendo-o à porta do avião, em que ele vinha para colaborar com a justiça. Montaram um "circo mediático" para chocar o País e criar logo a convicção de que a corrupção e o corrupto eram de tal ordem, que tinha que ser preso e isolado de imediato, para gáudio da direita no poder, que assim conseguiu que os holofotes se fixassem no ex primeiro-ministro que eles vinham diabolizando e pretendiam exorcizar, e não na desastrosa acção governativa, que vinham exercitando.
Apoiados numa relação espúria, mancomunados, com o "Correio da Manhã", favoreceram, ou promoveram a publicação diária, ao retalho, de peças da "investigação" para criarem na opinião pública a convicção de que estávamos em presença de um "gangester". E, como o povo adora o sacrifício e o cheiro a sangue de políticos, montaram um folhetim diário, escabroso, diabólico, que constituísse a total descredibilização do personagem, e a sua condenação prévia e absoluta, independentemente das provas.
Assim já se passou ano e meio, com violações inimputáveis e criminosas, elas sim, do segredo de justiça. Sócrates já foi condenado e crucificado na praça pública, como um qualquer escravo ou gladiador, entregue aos leões, para gáudio da multidão, que "odeia" os políticos, como se de marginais se tratasse.
Este filme de terror obedece a um "script" de tal forma abjecto, que os investigadores continuam a "chafurdar" na busca de matéria probatória, e, como perderam o controle dos acontecimentos, levando qualquer cidadão inteligente a perceber que tudo o que fizeram até aqui não tendo lógica, nem racionalidade, tem que obedecer a outras motivações, que não as que derivam da aplicação da justiça, preparam-se para ter que apresentar uma acusação monstruosa, mas que já não terá a mínima credibilidade, Visará somente iludir a opinião pública, sacudindo " a água do capote" na tentativa de alijarem responsabilidades graves que tem na condução "criminosa" deste inquérito, e, assim, alimentarem mais uns ódios, mais umas discussões apaixonadas, nos cafés, ruas e mercados do País, ajudando o Correio da Manhã a embolsar mais uns milhões de euros de vendas, com "manchetes" prenhes de sangue político. Teremos uma "prova" de tal maneira complexa, por erros graves e omissões de investigação, que o apuramento das responsabilidades penais de José Sócrates dificilmente se fará durante a sua vida, tantos e tantos anos, tantos e tantos recursos virão a acontecer.
Sócrates sem ter sido condenado já foi executado, com a pena de "morte política" que entretanto, ardilosamente, os "justiceiros" que conduzem a investigação lhe aplicaram. E, para esses, o que vier a acontecer em audiência já pouco conta. Porque o que eles queriam já conseguiram: a morte política e profissional do cidadão José Sócrates. Poderão, agora, apresentar "contentores" com provas. Mesmo que algumas viessem a ser verídicas, eu jamais acreditarei nesta investigação, ou na acusação que vierem a deduzir. Porque penso, porque sou minimamente inteligente, porque nesta fase da minha vida já não sou manipulável, nem deixo o meu raciocínio ser toldado por paixões políticas, religiosas, de natureza alguma.

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