Os brasileiros, por uma questão cultural, tendem a resolver os problemas mais sérios e graves, com paliatívos, truques, mutirões, grandes proclamações e carradas de "marketing", sem priorizarem o que é vital.
Agora, face à ofensiva do novo (velho) vírus, resolveram pôr o exército na rua. De facto, para fazer uma guerra, nada melhor do que um grande exército, só que, neste caso, o inimigo é um mosquito.
E a principal causa deste grave problema está no descaso e omissão das políticas públicas. Basta andar em qualquer grande cidade brasileira para verificarmos a imundície nas ruas, que só são lavadas quando chove; os milhares de lixões a céu aberto, porque o dinheiro para as centrais de tratamento de lixo e tratamento de águas é roubado por políticos e empresários conluiados; a inexistência de colectores e contentores de lixo, que é despejado em sacos plásticos à porta das casas, para logo serem despedaçados por cães, catadores de lixo, abutres (urubus), pobres esfomeados e ratazanas.
Do mesmo modo, falta um investimento sério na educação para a cidadania, o que faz com que milhões de brasileiros coabitem normalmente com esta incúria, e só se preocupem quando começam a ter filhos com microcefalia, ou mortos na família, por Dengue, Zika e tudo o mais. Aí, sim, vem o mutirão, (uma espécie de "festa" em que as pessoas se juntam mais para o convívio, a cavaqueira e uns copos com forró ou samba à mistura, do que pelo sucesso da acção), o exército, e todo o folclore que crie a ilusão que o problema vai ser resolvido, ficando tudo na mesma.
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